1º e 2 de dezembro de 2014

Centro de Eventos do Plaza São Rafael Hotel

Porto Alegre - RS

PALAVRA DO PRESIDENTE

A partir da década de noventa o Brasil começou a entrar no radar dos investidores internacionais, aliando importantes ajustes macroeconômicos com um equilíbrio nas contas públicas internas e externas, estabilidade da moeda, maior responsabilidade fiscal e avanço nos programas de privatização, só para citar algumas. De outro lado, nossas companhias de capital aberto cresceram em tamanho, em quantidade e em qualidade, principalmente em seus sistemas de governança.

Todas essas melhorias, combinadas com um cenário internacional favorável e um expressivo aumento nos preços das commodities, representaram um crescimento no fluxo de capitais para o País, tanto sob a forma de investimento de portfólio como em investimento estrangeiro direto, tornando o Brasil um dos principais destinos para investidores estrangeiros, pois a relação risco x retorno se traduzia em atratividade.

No entanto, o encaminhamento dado para a política econômica brasileira a partir da crise de 2008, foi gradativamente afetando a atratividade do mercado de capitais brasileiro, quando comparado com outros emergentes, ao ponto da bolsa de valores brasileira encerrar o ano com um dos piores desempenho entre os emergentes.

Este desencanto dos investidores tem inúmeras causas, passando por uma combinação perigosa de baixo crescimento, deterioração de contas públicas e pressão inflacionária, indo direto às mudanças intempestivas nos marcos regulatórios de concessões importantes, como por exemplo, o setor elétrico. Para completar o quadro, a quebra do “Império X” e as práticas de governança altamente discutíveis com uma das maiores companhias de capital aberto brasileiro.

O Congresso da APIMEC convida para aprofundarmos as discussões de como podemos recuperar a capacidade de crescimento de forma sustentável, utilizando os instrumentos do mercado de capitais de forma mais eficiente e com maiores níveis de governança corporativa.

Assim, pretendemos aproveitar o momento para refletir sobre nossas fraquezas em relação à educação e à infra-estrutura, por exemplo.  Também, vamos abrir espaço para voltar a discutir os mecanismos de financiamento à inovação que, em última análise, se traduzem em gargalos de produtividade.

Por fim, entendemos que precisamos nos debruçar sobre recursos capazes de aumentar a eficácia da gestão pública, que conta com uma pesada receita de arrecadação – uma das cargas tributárias mais elevadas e complexas do mundo – despendidas com gastos de custeio elevadíssimos e baixos níveis de investimento público.

Assim, convidamos a todos para se engajar nessa luta para recuperar nossa capacidade de crescer com sustentabilidade.

 

Marco Antônio dos Santos Martins
Presidente 23º Congresso Apimec